A publicação do Decreto 12.955/2026 e da Resolução CGIBS 6/2026 marca a passagem da reforma tributária à sua fase operacional. Agora, prestadores de serviços precisam adaptar sistemas, documentos fiscais e processos para atender às obrigações acessórias da CBS e do IBS.
Sem ação rápida, empresas correm risco de sanções, glosas de créditos e falhas na apuração. Ajustar políticas de crédito, treinar equipes e revisar fluxos internos são passos essenciais para mitigar impactos financeiros e garantir conformidade. Prepare-se para encarar esse novo cenário com segurança e eficiência.
Prepare-se: os desafios operacionais que sua empresa enfrentará com a CBS e IBS
O prazo para implementação dos regulamentos da CBS e do IBS é exíguo e não observá-lo pode gerar consequências diretas no desempenho financeiro e operacional das empresas de serviços.
Sem a adaptação de sistemas fiscais, adequação de documentos e atualização de controles internos, as organizações ficam expostas a:
- Multas e penalidades por descumprimento de obrigações acessórias;
- Glosas de créditos tributários devido à apropriação inadequada;
- Descompassos no fluxo de caixa por retenção de valores indevidos;
- Aumento de custos com retrabalho e correções emergenciais;
- Dificuldades na auditoria e na prestação de contas, comprometendo a transparência.
Agir de forma proativa, com revisão imediata dos processos, é essencial para evitar riscos que podem comprometer a competitividade e a saúde financeira do negócio.
Entenda os principais pontos dos regulamentos da CBS e do IBS
Os decretos e resoluções deixam claro que CBS e IBS são tributos “por fora”, ou seja, não integram a base de cálculo dos preços dos insumos nem geram efeito cascata. O imposto passa a ser destacado separadamente na nota fiscal e recolhido à parte, sem compor o valor do produto ou serviço fornecido.
Na prática, esse modelo transforma o tributo em valor transitório: o montante destacado ingressa no caixa como passivo até o pagamento, e o adquirente pode apropriar créditos correspondentes desde que observados requisitos como emissão de documento fiscal idôneo, pagamento integral, segregação contábil entre CBS e IBS e correta classificação fiscal. Assim, a gestão de créditos deixa de ser um mero procedimento de apuração e se torna estratégia de otimização do “custo líquido” dos insumos.
Tributos “por fora” e a nova gestão de créditos
Em regime “por fora”, o IBS e a CBS não integram a base de cálculo de outros tributos nem das receitas: cada imposto é destacado no campo específico da nota fiscal, garantindo que o valor incidente não seja diluído no preço do serviço ou insumo.
Esse destaque cria o conceito de valor transitório: o montante incidente ingressa inicialmente no caixa como passivo tributário e somente se consolida como despesa ou gera crédito fiscal após o atendimento de requisitos normativos.
Para apropriar os créditos de CBS e IBS, é necessário:
- Emissão de nota fiscal ou documento fiscal idôneo contendo a discriminação dos tributos;
- Pagamento integral do valor tributado dentro dos prazos legais;
- Segregação contábil entre CBS e IBS, evitando mistura de valores na escrituração;
- Classificação correta das operações no sistema fiscal, respeitando a natureza do serviço;
- Armazenamento de comprovantes de pagamento e registros de contabilização.
Sem o cumprimento rigoroso dessas condições, o crédito não nasce automaticamente e pode ser questionado pela administração tributária, elevando o risco de glosas e autuações.
Definições para brindes, bonificações e amostras grátis
O regulamento da CBS/IBS traz definições específicas para brindes, bonificações e amostras grátis, disciplinando quando esses itens geram ou não incidência tributária:
- Brindes (art. 5º da LC 214/2025): bens ou serviços gratuitos fornecidos ao consumidor final que não compõem a atividade habitual do fornecedor. Para esses casos, o valor lançado para fins de base de cálculo corresponde ao preço de aquisição do bem ou serviço (art. 14, § 8º).
- Bonificações (art. 5º da LC 214/2025): fornecimento adicional de bens ou serviços em substituição a desconto no valor da operação. Nestes casos, aplica-se o mesmo critério de valoração pelo preço de aquisição.
- Amostras grátis (art. 14, § 8º do Regulamento): não sofrem incidência de CBS/IBS quando:
- bens materiais de valor comercial diminuto, limitados à quantidade necessária para demonstrar natureza e qualidade do produto;
- serviços ou bens imateriais de demonstração, concedidos por até 31 dias corridos, desde que façam parte da atividade econômica do fornecedor.
Essas regras visam evitar a bitributação de ações promocionais e isentar itens de demonstração sem impacto relevante na cadeia econômica. Para garantir a correta aplicação, é fundamental manter registros detalhados de quantidade, finalidade e mercado de referência de cada operação.
Critérios de apuração: valor de operação e valor de mercado
Como regra geral, a base de cálculo do IBS e da CBS é o valor da operação registrada na nota fiscal. Contudo, o regulamento prevê a aplicação do valor de mercado nas seguintes hipóteses:
- Operações sem valor determinado na documentação fiscal;
- Transações sem contraprestação em dinheiro (permuta ou cessões sem pagamento);
- Negócios entre partes relacionadas, quando o preço não reflete condições de mercado;
- Ausência de valor da operação em contratos ou instrumentos legais.
Nessas situações, o artigo 14 do regulamento estabelece uma sequência de métodos para apuração do valor de mercado:
- Utilização de dados de operações recentes (últimos três meses), observando natureza, quantidade, condições de pagamento e mercado geográfico;
- Emprego de valores de transações semelhantes realizadas pelo próprio contribuinte ou por terceiros em até um ano;
- Cálculo baseado no custo total acrescido da margem de lucro bruto usualmente praticada;
- Cálculo pelo custo total somado às despesas necessárias à manutenção das atividades.
O contribuinte deve documentar rigorosamente o método escolhido, registrando fontes de dados, critérios de seleção e cálculos adotados. Essa prática garante transparência e facilita a comprovação junto ao Fisco, reduzindo riscos de autuações por divergência na apuração do valor de mercado.
Restrições de crédito e compliance: evite glosas
Os regulamentos da CBS e do IBS impõem restrições estritas à apropriação de créditos vinculados a bens e serviços de uso pessoal. Estão vedados créditos sobre itens como joias, obras de arte, bebidas alcoólicas, tabaco, armas e bens recreativos ou estéticos fornecidos a sócios, acionistas, administradores, empregados e seus familiares até o terceiro grau, salvo quando comprovado seu uso preponderante na atividade econômica.
Para evitar glosas e autuações, as empresas devem reunir documentação que demonstre a finalidade empresarial dos bens e serviços e atenda aos requisitos legais:
- Política corporativa escrita de elegibilidade, finalidade e limite de quantidade de fornecimentos;
- Registros de uso efetivo: logs de acesso, ordens de serviço, relatórios de deslocamento e comprovantes de entrega;
- Segregação contábil por centro de custo e identificação patrimonial de cada bem;
- Classificação fiscal detalhada para distinguir bens de uso pessoal daqueles indispensáveis à atividade;
- Testes de preponderância periódicos, com evidências documentais do vínculo funcional.
Nas exceções previstas, como uniformes, Equipamentos de Proteção Individual (EPI), alimentação no local, serviços de saúde, creche durante a jornada e benefícios educacionais (vale-transporte, vale-refeição, plano de saúde), é fundamental manter comprovantes que atestem sua destinação exclusiva ao desenvolvimento das atividades empresariais. A adoção rigorosa dessas práticas fortalece a conformidade e reduz o risco de perdas de créditos tributários.
Vedação de créditos em bens e serviços para sócios e empregados
Os regulamentos da CBS e do IBS estabelecem que não geram crédito fiscal os bens e serviços fornecidos a sócios, acionistas, administradores, empregados e familiares até o terceiro grau quando destinados a uso ou consumo pessoal. Nesses casos, não se aplica a apropriação de créditos por não haver relação direta com a atividade econômica.
Entre as hipóteses vedadas, destacam-se:
- Joias, relógios e acessórios de luxo;
- Obras de arte, esculturas e itens decorativos;
- Bebidas alcoólicas e produtos de tabaco;
- Armas e munições (exceto em atividades de segurança jurídica e autorizada);
- Bens recreativos e estéticos (massagens, tratamentos estéticos, academias);
- Veículos de passeio sem prova de uso operacional;
- Equipamentos de informática e comunicação fora da função;
- Serviços de lazer, turismo e entretenimento particulares;
- Convites ou ingressos para eventos sociais sem relação profissional.
Em todas essas situações, a legislação considera o fornecimento como benefício privado, o que impede a geração de crédito fiscal. Para comprovar exceções (uniformes, EPIs, planos de saúde corporativos), é imprescindível documentar a finalidade empresarial e a compatibilidade com a atividade.
Prova de uso preponderante: políticas e evidências
Para demonstrar o uso preponderante de bens e serviços fornecidos a sócios, empregados e terceiros, é essencial criar e documentar políticas internas claras e acompanhar o consumo de forma sistemática. O objetivo é provar que o bem ou serviço destina-se majoritariamente à atividade econômica, evitando questionamentos fiscais e glosas de crédito.
- Política corporativa escrita: defina critérios de elegibilidade, finalidade de uso e limites quantitativos para cada tipo de fornecimento.
- Registros de uso: mantenha logs de acesso, ordens de serviço e relatórios de deslocamento que associem diretamente o bem ou serviço à função desempenhada.
- Segregação por centro de custo: atribua cada ativo ou despesa a centros de custo específicos, facilitando a rastreabilidade e a conferência contábil.
- Identificação patrimonial: utilize etiquetas ou tags para vincular cada bem ao usuário ou setor responsável.
- Auditorias e revisões periódicas: realize testes de preponderância com coleta de evidências documentais e ajuste de políticas conforme resultados.
Adotar essas práticas garante transparência e consistência na comprovação do vínculo funcional, reforçando a conformidade fiscal.
Precisa de apoio para implementar essas mudanças?
Adaptar-se à nova regulamentação da CBS e do IBS envolve ajustes profundos em processos, sistemas fiscais e controles internos. A SP Contabilidade Digital atua como parceira estratégica para orientar prestadores de serviços em cada etapa dessa jornada, unindo conhecimento tributário a soluções práticas e tecnológicas.
Entre as frentes de suporte que podemos oferecer estão:
- Mapeamento e otimização de fluxos fiscais e operacionais;
- Estruturação de políticas de apropriação e segregação de créditos;
- Implementação de controles contábeis e relatórios personalizados;
- Treinamento de equipes para emissão de documentos e apuração;
- Consultoria contínua em regimes Simples, Lucro Real e Presumido;
- Suporte em obrigações acessórias e adequação de sistemas.
Com agilidade e expertise em gestão tributária, nossa equipe garante que sua empresa esteja preparada para cumprir prazos, evitar glosas e maximizar o aproveitamento de créditos. Entre em contato para conhecer nossas soluções e fortalecer sua operação diante da fase prática da reforma tributária.
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Fonte Desta Curadoria
Este artigo é uma curadoria do site TAGD Advogados. Para ter acesso à matéria original, acesse Regulamentação da CBS e do IBS tira reforma tributária da fase legislativa para a implementação operacional




